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Após a austeridade, o que sobra de Portugal?
Pergunta em manchete o "International Herald Tribune" Europa,  analisando os efeitos da recessão prolongada no país, conforme noticiado no Expresso Online de 24 de Abril de 2013 

 

Já tivemos um certo "Presidente do Conselho" que defendia para Portugal a política cega do "orgulhosamente sós". Depois do discurso de 25 de Abril de 2013, ficámos a saber que temos um "Presidente da República" que, sabe-se lá porquê, passou a defender um consenso alargado em prol da política suicida do "orgulhosamente asfixiados". Má sina a nossa!

 

Portugal passou de ser considerado um bom exemplo de abordagem  da austeridade (o recurso ao resgate financeiro antes de uma situação  desesperada) a bom exemplo de como os governos têm sido incapazes de recuperar a  saúde económica à medida que as economias encolhem devido à recessão  prolongada.

 

Esta é uma das conclusões do artigo que a edição de hoje do  "International Herald Tribune" (IHT) publica em manchete e que se concentra nos  efeitos dos cortes no país. Esta edição internacional para a Europa do "New York  Times" debruça-se também sobre o impacto das medidas de austeridade nos países  que tiveram um resgate financeiro (Irlanda, Grécia e Portugal) e ficaram  sujeitos às medidas impostas pela Troika - Fundo Monetário Internacional (FMI),  Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE).

Pode a segurança social acabar? 

Em Portugal, escreve o IHT, questões fundamentais como "podem  os governos dar-se ao luxo de manter os seus sistemas sociais. E, se não, até  que ponto podem os governos fazer cortes nos benefícios sem comprometeram a  recuperação económica, intensificar os desequilíbrios sociais e comprometer o  bem-estar de gerações futuras" só passaram a ser equacionadas desde que o  Tribunal Constitucional chumbou algumas das medidas de austeridade previstas no  Orçamento de Estado para 2013.

As circunstâncias são tão sérias, continua o IHT, que o  primeiro-ministro "Passos Coelho avisou que a sua prioridade governativa, após a  decisão do TC, passara a ser fazer todo o possível para evitar um segundo  resgate".

Educação comprometida 

A educação é o tema subsidiário em que o artigo do IHT se detém  para avaliar o estado da economia portuguesa. O despedimento de 15 mil  professores, cortes nos orçamentos das instituições que reinstituíram os valores  de 2001, e ausência de investimento em remodelação asfixiam, de acordo com as  entrevistas, o ensino presente e comprometem a continuação da melhoria do  sistema de ensino, identificado como um dos mais fracos da Europa.

Os  entrevistados citados pelo IHT acusam o FMI de fazer cálculos errados e de só se  interessar por um ponto de vista economicista, esquecendo as vidas das pessoas  afetadas pelas medidas de austeridade. 

 

Rui Beja

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publicado às 17:36


1 comentário

De sara fonseca ferreira a 01.05.2013 às 19:56

"(...) [Ora,] não é possível compreender a influência da doutrina da austeridade sem falar de classes e de desigualdades. (...) As coisas são claras: a agenda da austeridade parece ser a simples expressão das preferências das classes altas, que apenas se disfarçam num aparente rigor académico. Aquilo que os 1% mais ricos querem, converte-se no que a ciência económica diz ser preciso fazer. (...) É isto que nos faz pensar na diferença que pode verdadeiramente fazer o colapso intelectual da perspectiva austeritária . Na medida em que temos uma política dos 1%, feita pelos 1% para os 1%, não será de esperar que apenas tenhamos novas justificações para as mesmas velhas políticas?»
Do artigo recente de Paul Krugman no The New York Times que vale a pena ler.

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