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Bater o Pé

14.12.12

Detesto que se façam coisas porque a troika mandou

Teodora Cardoso diz que cabe a Portugal resolver os problemas, à TSF em 13 de Dezembro de 2012

 

Num momento em que se torna premente decidir a mudança da postura que o actual Governo tem assumido, relativamente às medidas draconianas de austeridade cega que levam em cada dia que passa ao empobrecimento irreversível do país e dos portugueses, é do maior interesse atender às palavras sabedoras da credenciada e experiente economista Teodora Cardoso.

 

Como refere a notícia publicada pela TSF Online "A presidente do Conselho das Finanças Públicas entende que é preciso saber bater o pé aos credores internacionais...", acrescentando sem rodeios: "É uma coisa que detesto: fazer-se porque a troika mandou. Temos de perceber e discutir com a troika quando acharmos que o que nos estão a dizer para fazer nao é o melhor para fazermos".

 

Relativamente à relação entre as medidas tomadas para a Grécia e as que conviriam a Portugal, defendeu que as soluções devem ser adoptadas conforme as circunstâncias existentes em cada país e, frisando que não vivemos uma situação semelhante à da Grécia, acentuou que "É muito discutível até que ponto são benéficas para a própria Grécia, porque, no fundo, quando há medidas de favor, porque a situação está incontrolável, essas medidas não são boas para o país".

 

Lembrou ainda que Portugal "conseguirá melhorar as taxas de juro da dívida e os prazos tanto mais quanto melhor conseguirmos consolidar as finanças públicas e a administração pública e gerir bem a dívida pública" e acrescentou "Por isso vamos chegar lá de uma maneira segura e duradoura. Doutra maneira, andamos a discutir como meninos da escola. Não é o caminho". Considerou também que Portugal se "preocupa demasiado" com a troika, que "não vai resolver os nossos problemas", uma vez que na sua opinião será Portugal a ter de os resolver.

 

Finalmente, no que se refere às medidas para reforma do Estado, que o Governo vai anunciar em Fevereiro, a economista espera que o Executivo pense que "não é pela via das medidas pontuais de curto prazo que vai resover problemas que existem há muito tempo e que vão demorar a resolver.".

 

Espero que o ministro das Finanças tenha capacidade para saber ouvir quem se pronuncia com provas dadas e que use o mínimo de bom senso para pôr fim ao experimentalismo que tem seguido sem pudor dos destroços deixados pelo caminho que vem trilhando em direcção ao abismo - chegarmos ao estado que deixaram a Grécia chegar, para só então renegociarmos o memorandum, não é uma solução, é criar um monumental problema económico-financeiro com efeitos socialmente devastadores.

 

Mudar não é nenhuma vergonha, mas insistir no erro é prova de má-fé ou de falta de inteligência. Habitue-se a bater o pé aos alemães. Olhe que eles até gostam mais de lidar com quem lhes dá luta com sentido, do que de tatar com meninos bem comportados que dizem a tudo que sim à espera de no fim ganharem um doce que nunca lhes chegará às mãos. Pode crer que sei do que falo.

 

Atentem, senhores governantes que nós, os portugueses, estamos bem cientes que os nossos problemas não residem no memorandum assinado com a Troika, mas nos interesses dos "traficantes de droga financeira" que depois de nos terem seduzido com "produto disponibilizado por hábeis passadores", querem agora, aproveitando-se do vosso "PREC ultraneoliberal", levar tudo o que temos e o que não temos para depois... escolherem a próxima vítima.

Rui Beja

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publicado às 17:11



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José Cardoso Pires escreveu, em adenda de Outubro de 1979 ao seu «Dinossauro Excelentíssimo»: "Mas há desmemória e mentira a larvar por entre nós e forças interessadas em desdizer a terrível experiência do passado, transformando-a numa calúnia ou em algo já obscuro e improvável. É por isso e só por isso que retomei o Dinossauro Excelentíssimo e o registo como uma descrição incómoda de qualquer coisa que oxalá se nos vá tornando cada vez mais fabular e delirante." Desafortunadamente, a premunição e os receios de José Cardoso Pires confirmam-se a cada dia que passa. Tendo como génese os valores do socialismo democrático e da social democracia europeia, este Blog tem como objectivo, sem pretensão de ser exaustivo, alertar, com o desejável rigor ético, para teorias e práticas que visem conduzir ao indesejável retrocesso civilizacional da sociedade portuguesa.

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