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Diário de Notícias
 
Imprensa estrangeira

Mário Soares eleito personalidade do ano

por Sofia Fonseca         Hoje


 
Fotografia copyright António Henriques/Global Imagens

A Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal elegeu hoje o ex-presidente da República como a personalidade portuguesa de 2013. O prémio constitui um reconhecimento da pessoa ou da instituição portuguesa que mais fez pela imagem do país no exterior.

"Em 2013 Mário Soares tem sido uma das principais vozes na sociedade portuguesa", realçam os jornalistas estrangeiros a trabalhar em Portugal, que quiseram, com este prémio, "constatar o importante papel desempenhado por Mário Soares na Democracia e na história de Portugal".

"Por um lado, serve para reconhecer a sua longa e intensa trajetória política, por outro, pretende galardoar a enérgica atividade realizada ao longo do presente ano", justificam os membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, da qual o antigo presidente da República é sócio honorário.

Apesar dos seus 89 anos e de um grave problema de saúde no início do ano, Mário Soares mantém-se ativo e com forte intervenção política. Precisamente no dia do último aniversário, a 7 de dezembro, o antigo presidente marcou presença numa iniciativa em defesa dos Estaleiros de Viana do Castelo. "Estes homens [trabalhadores] estão no seu direito de lutar e devem continuar a lutar. É por isso que eu cá estou, solidário com eles", disse o histórico líder socialista.

Antes disso, a 21 de novembro, Mário Soares organizou o Congresso das Esquerdas, que decorreu na Aula Magna, em Lisboa. Com a presença de inúmeras personalidade, a iniciativa ficou marcada pelas suas declarações que alguns entenderam como um apelo à violência.

Na ocasião, o ex-chefe de Estado Mário Soares defendeu a demissão do Presidente da República e do Governo, dizendo que é tempo de "irem para suas casas pelo seu pé" e evitarem "uma onda de violência".

Ideias que já havia defendido, dois dias antes, no ponto 2 de um artigo do DN. "Quando digo que este Governo está moribundo, que só existe ainda dada a proteção anticonstitucional do Presidente Cavaco Silva, entenda-se que não o faço para o tentar humilhar ou por razões ideológicas ou político-sociais. É tão-só para evitar, enquanto é tempo, a violência que aí vem", escreveu, acusando a maioria de estar a "caminhar para uma espécie de nova ditadura".

Soares acusou Cavaco de pertencer ao "bando" do Governo, mas também questionou o seu envolvimento no caso BPN. "Nunca ninguém julgou, todos roubaram, mas nunca julgou, como é sabido. Porque é que o Presidente da República não é julgado?", perguntou Mário Soares em meados de outubro, quando questionado acerca do fim das relações estratégicas entre Angola e Portugal.

Dias antes, numa entrevista "sem papas na língua" ao DN, dissera: "O Governo quer acabar com o Estado social, com o Serviço Nacional de Saúde, com o respeito pelos sindicatos e a concertação social. Tudo isso tem vindo a desaparecer. Isso tem um objetivo terrível: destruir Portugal tal como foi e a Constituição ordena". Soares defendera ainda que "estes senhores têm de ser julgados, depois de saírem do poder. Mas não é por esta Justiça, que não tem gente. Você sabe que, por exemplo, todos os que roubaram no banco nunca lhes aconteceu nada, estão todos impunes, está tudo a viver à tripa forra?

Mário Soares esteve especialmente ativo no segundo semestre do ano, uma vez que esteve 10 dias em coma devido a uma encefalite, logo no início do ano.

Mas, em pleno verão, numa entrevista ao jornal "i" foi muito duro nas críticas a António José Seguro, considerando que este foi brando no discurso em que anunciou a rutura nas negociações com o governo para um "compromisso de salvação nacional". O líder histórico socialista já alertara o atual dirigente do PS para a possibilidade de cisões no partido caso este chegasse a acordo com a coligação, na sequência do pedido de entendimento de Cavaco Silva, após a crise política de fim de junho, provocada pelo pedido de demissão de Paulo Portas.

Época em relação à qual se referiu como um "caos" e em que realçou, num artigo de opinião no DN, que o "Governo de Passos Coelho, que está há muito moribundo e completamente paralisado, não teve a dignidade de se demitir".

Nesse mesmo artigo, Mário Soares lembrou que não tem nenhuma responsabilidade política e não a quer ter. "Limito-me a pensar e a dizer o que penso", afirmou.

Essa é uma das razões pelas quais recebe agora o prémio da imprensa estrangeira, que em anos anteriores já distinguiu Carlos Paredes, José Saramago, Durão Barroso, Luís Figo, Souto Moura ou Joana Vasconcelos.

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publicado às 23:11



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